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Huainanzi

Um dos últimos textos ditos "filosóficos" da escola daoísta foi produzido durante o século II a.C., ao longo do período Han, intitulado pela tradição como Huainanzi. Provavelmente escrito por um príncipe de nome Liuan, que teria vivido até 122 a.C. e que teria sido um grande conhecedor da filosofia de Laozi e Zhuangzi, o Huainanzi apresenta um desenvolvimento em relação as concepções originais dos primeiros daoístas, motivadas possivelmente pelo ambiente cultural em que o livro foi redigido. Abrangendo temas diversos que vão desde cosmologia a estratégia e poder, o Huainanzi parece se tratar de uma reação a preeminência política dos confucionistas neste período, elaborando uma proposta que buscava unir as perspectivas dos antigos daoístas ao ambiente social do império Han.

Origem do Cosmo
As essências entrelaçadas do Céu e da Terra produziram o Yin e Yang
As essências exaladas por Yin e Yang produziram as quatro estações
As essências desagregadas de Yin e Yang criaram todas as coisas
O qi fervente do yang acumulado produz o fogo
O sol é a essência do qi fervente
O qi gelado do yin acumulado produz a água
A lua é a essência do qi aquoso
O qi advindo das essências de sol e da lua produziram as estrelas e planetas
Ao céu pertencem o sol, a lua planetas e estrelas
A terra pertencem a água, as inundações, o povo e o solo


Yin e Yang
O dao do céu é circular
O dao da terra é quadrado
O quadrado governa o obscuro
O circular governa o brilhante
O brilhante emite qi e por esta razão
O fogo é o brilho externo do sol
O obscuro absorve qi, e por esta razão
A água é a luminosidade interna da lua
O sol preside o yang, por isso
Na primavera e no verão os animais lutam
No solstício do verão os cervos perdem seus chifres
A lua preside o yin, por isso
Quando a lua mingua, os peixes enlouquecem
Quando a lua morre, caranguejos ressecam
O fogo vai pra cima
A água vai pra baixo
Assim é também
O vôo dos pássaros, pra cima
O nado dos peixes, pra baixo
As coisas que pertencem a uma mesma classe movem-se simultaneamente
A raiz e o tal respondem um pelo outro
Portanto
Quando o espelho candente (=lente) vê o sol
Incendeia a erva e produz o fogo
Quando o espelho quadrado (=espelho) vê a lua
Umedece e produz água (=orvalho)


O Céu e os Seres
O céu é calmo e claro, a terra é estável e pacífica. Os seres que perdem estas qualidades morrem, enquanto que aqueles que as louvam vivem. Calma e cheia de espaço é a casa da luz espiritual; aberta sem qualquer traço do eu é a morada do caminho. Portanto há aqueles que buscam externamente a perdem internamente, e há aqueles que a guardam com cuidado internamente e a conquistam externamente.
O Caminho do Céu e da Terra é enormemente vasto, todavia é ainda moderado em suas manifestações de glória e ao espalhar a sua luz espiritual. Como então podem os olhos e ouvidos humanos trabalharem perpetuamente, sem repouso? Como poderá o espírito vital estar correndo por todos os lados sem ficar exaurido?

Estado e Sociedade
A tarefa básica do governo é fazer a grande massa sentir-se segura. A segurança do povo é baseada no atendimento de suas necessidades. O atendimento de suas necessidades consiste em não privar o povo de suas oportunidades. Para que o povo não se prive de suas Oportunidades, o governo deve reduzir ao mínimo os impostos e as cobranças. A redução de impostos e cobranças depende da moderação do desejo. A base da moderação do desejo depende de um retorno à natureza essencial. O retorno à natureza essencial está na remoção da carga de obrigações e deveres. Remova-se a carga de obrigações e haverá abertura. Ser aberto é ser equânime. A equanimidade é um elemento básico no Caminho; a abertura é o abrigo do Caminho.

EM TEMPOS REMOTOS, sob sábia liderança, as leis eram liberais e as penalidades suaves. As prisões eram vazias, todos tinham os mesmos costumes, e ninguém era desleal.
Os governos de agora não são mais assim. Uns são gananciosos, outros são avarentos e irrefletidos. O povo é pobre e infeliz e vive brigando entre si. Trabalha muito, mas não ganha nada. Os espertos e impostores aparecem, e eis que surgem assaltantes e ladrões.
Chefes e subordinados se queixam mutuamente, as determinações deixam de ser cumpridas, funcionários do governo não se esforçam em voltar para o Caminho. Indiferentes ao fundamental, esses servidores dedicam -se a banalidades; os prêmios tornam-se ra­ros, e  aumentam os castigos. À medida que se governa assim, a desordem aumenta.

QUANDO O GOVERNANTE é astucioso, o povo é desonesto. Quando o governante tem obsessões e interesses, o povo é pedante. Quando o governante e inquieto, o povo é inconstante. Quando o governante é exigente, o povo é briguento. Se você não vai a raiz disso, mas se mantém só nos ramos, e como se levantasse poeira enquanto varre o quarto, ou. como se quisesse apagar uma fogueira com um feixe de gravetos. Por isso, as tarefas dos sábios são limitadas e fáceis de se lidar; suas necessidades são poucas e fáceis de satisfazer. Eles são benevolentes e não se cansam; são confiáveis sem que se expliquem, encontram sem procurar, conseguem sem se esforçar. Eles percebem só a realidade, abraçam a virtude e propagam a sinceridade. Todos os seguem como o eco de uma voz, como os reflexos da forma. O que eles cultivam é o fundamental.