Ban Zhao - Nujie

Ban Zhao foi uma destacada escritora da época Han. Irmã do historiador Ban Gu, Ban Zhao destacou-se na literatura chinesa por seus profundos conhecimentos acerca da história e da cultura chinesa. Após a morte do irmão, ele encarregou-se de terminar o Hanshu, redigindo e adicionando os textos complementares. Sua obra de destaque, no entanto, é o Nujing, ou Tratado Feminino (também chamado Nujie, Lições Femininas) onde aborda a questão da relação entre os sexos e propõe um equilíbrio harmônico entre os mesmos, situando-na como uma das primeiras feministas da história.

Extrato de Ban Zhao

O caminho do Marido e da Esposa está intimamente ligado com o Yang e o Yin, que são os dois elementos bases do universo.(...).

Como Yin e Yang não são da mesma natureza, mulher e homem têm naturezas diferentes: o Yang é rígido, e o Yin é suave (...).

Um marido indigno não pode controlar sua esposa; uma esposa indigna não pode exigir nada de seu marido. Somente o equilíbrio dos dois princípios pode harmonizar uma relação (...) Isso se inicia pela educação: conforme o Li Qi (Livro dos Rituais), a regra é começar a ensinar uma criança a ler aos oito anos, e perto dos quinze elas estão aptas ao estudo da cultura. Apenas porque isso se refere aos meninos, não pode e deve ser igualmente outorgado às meninas? Esta é a base do equilíbrio.

(...) um homem é honrado pela força: uma mulher, pela suavidade. Há [no entanto] um ditado que diz: um homem pode ser parecido com um lobo terrível, mas no fundo pode ser um monstro fraco; e uma mulher, embora possa parecer um ratinho amedrontado, pode ser, na verdade, uma tigresa furiosa. (...) deve sempre haver um respeito mútuo, sem o que ambos destroem o amor próprio um do outro e então marido e esposa se dividem (...).

(...) uma mulher que respeita os outros; que deixa os convidados serem os primeiros, e ela a última; que faz algo de bom, mas não se vangloria; que faz o mal, mas reconhece o erro; suporta ofensas e não se importa; aparenta medo e temor, mas guarda sua verdadeira força para não humilhar os que estão a sua volta; uma mulher, quando segue estes preceitos, pode ser dita humilde diante dos outros, mas é, na verdade, intocável (...).

(...) Uma mulher deve ter quatro qualificações; virtude, carinho, beleza e esforço. A virtude não exige brilhantismo, mas apenas a atenção íntima; o carinho não precisa ser inteligente ou aguçado nas palavras, mas sincero; a beleza não requer formas ou faces perfeitas, mas apenas dedicação e cuidado com o corpo; e por fim, o esforço não é trabalhar mais, ou melhor, que outros, mas apenas o necessário (...) Estas quatro qualificações fazem a virtude completa da mulher, e ela não pode viver sem elas. O maior tesouro de um Homem é estar no coração de uma mulher assim (...).

(...) Diziam os antigos: o amor está distante de você? Se desejas o amor, ele está em suas mãos! (...).