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Xunzi

O grande opositor de Mêncio foi Xunzi (355 - 288), cujas teses se contrapunham diretamente a perspectiva otimista da bondade inata no ser humano. Xunzi defendeu a idéia de que o ser humano nascia com propensão para o mal, tal como acontecia nos animais selvagens. A diferença, porém, é que ele poderia se salvar através da educação e da prática do ritual e dos costumes. Xunzi era um confucionista convicto, apesar de ser relativamente pessimista. Suas propostas foram amplamente discutidas no campo da educação e na formação do homem, e acredita-se que seus textos só não forma incluídos no Canone confucionista porque um dos seus principais alunos, Hanfeizi, haveria de macular sua imagem transformando-se num dos grandes ideólogos do Legismo, doutrina que perseguiu ameaçadoramente o confucionismo durante o período Qin (III a.C.)


Extratos de Xunzi


Rituais

(...) os sacrifícios são realizados com os sentimentos de devoção e do desejo. Cumprem a lealdade, a fé, o amor, e o respeito. A conduta ritual é a perfeição do decoro. Somente os sábios compreendem inteiramente isso. Os Sábios compreendem isso, os cavalheiros o carregam confortavelmente consigo, os oficiais preservam-no, e os povos comuns consideram-no como sendo o costume. Os cavalheiros sabem-no ser arte da maneira do homem; o povos comum pensa, no entanto, que tem algo haver com fantasmas (...)


Natureza humana
A natureza do homem é má. Bom é o produto humano. A natureza humana é tal que os povos nascem com amor ao lucro, e se seguirem essa inclinações, eles lutarão e arrebatar-se-ão uns aos outros, e as inclinações ao dever e a produção morrerão. Eles nascem com medos e ódios. Se os seguirem, transformar-se-ão em violentos e tendenciosos indo de contra a boa fé, que morrerá. Se forem indulgentes, e desordem da licenciosidade sexual resultará na perda dos princípios rituais e da moral. Em outras palavras, se o povo agir de acordo com a natureza humana e seus desejos, eles inevitavelmente lutarão, arrebatar-se-ão, violarão as normas e agirão com um violento abandono. Conseqüentemente, somente depois de transformados por professores e por princípios rituais e morais, conforme a cultura, poderão permanecer em boa ordem. Visto por este lado, é óbvio que a natureza humana é má e bom é o produto humano.


Ordem e desordem
Constantes princípios regem o conhecimento do céu. O Céu não prevalece porque você é o sábio Yao ou desaparece porque você é o Tirano Jie. Bênçãos resultam quando você responde ao céu com a ordem criativa: e as desgraças surgem quando você o responde com desordem.(...) Mas a ordem e a desordem são produtos do Céu? Eu digo, o sol e a lua, as estrelas e constelações estavam no mesmo lugar quando Yu criou a ordem e quando Jie fez a desordem; mas a ordem ou a desordem não vieram do Céu.


A Retificação dos Nomes
Foi assim que os antigos reis fundaram os Nomes das Coisas:
Os nomes legais de acordo com a dinastia Shang;
Nomes relativos a classificações e títulos de acordo com a Dinastia Zhou;
Os nomes de cerimônias e objetos cerimoniais de acordo com a prática ritual.
Para os Nomes Comuns aplicados às 10 000 coisas da criação, de acordo com os costumes e sanções já estabelecidos no Reino do Centro, de modo que em regiões distantes com povos com costumes diferentes, estes são os nomes comuns que o homem conhece.
O que é como está e o próprio motivo do nascimento é chamado de Natureza do homem.
O que é harmonioso desde o nascimento, o Espírito que corresponde aos sentidos, sem esforço e espontaneamente, é chamado de Natureza.
O que agrada, e o que desagrada, alegria, raiva, natureza, quando as Emoções surgem e a Mente faz uma escolha entre elas, isso se chama Pensamento.
Quando a Mente pensa, e o corpo é hábil em colocar-se em ação, isso é chamado de Atividade Consciente.
Quando os Pensamentos se acumulam, o corpo é bem treinado, e então a Ação é levada a termo, isso é chamado de Atividade Consciente.
Quando existe Benefício Direito e está feito, quando existe Direito e isso é feito, é então chamado de Conduta Moral ou Virtude.
O que sabemos que está no Homem é chamado de Conhecimento.
O conhecimento que possui aplicabilidade prática também é chamado de conhecimento.
O conhecimento do corpo ou a habilidade que está no homem é chamado de habilidade.
Corpo ou habilidade bem sucedidas são saúde.
A natureza desequilibrada é chamada de doença.
O inesperado com o que se encontra é chamado Destino.
Estes são os nomes comuns que estão no homem.
Estes são os Nomes instituídos pelos reis antigos.
Assim, os Nomes Reguladores dos Reis, são os Nomes que são fixos ou determinados e suas realidades diferenciadas, se o Caminho for seguido e as Intenções forem comunicadas.
Dividir as palavras com base nas próprias escolhas e criar novos Nomes, lançando os Nomes estabelecidos no Caos, causando nas pessoas a dúvida e a decepção, e permitir que os homens argumentem, é chamado então o Grande Mal.
Assim, um povo não ousará pensar em pretextos e usar palavras estranhas e lançar os nomes estabelecidos no Caos; as pessoas serão simples e honestas.
Se as pessoas são simples e honestas, então é fácil de empregá-las, e se as pessoas são fáceis de empregar, então há eficiência.
Este povo não ousará pensar pretextos e usar palavras estranhas ou derrubar os nomes estabelecidos no caos.
Assim, as pessoas estarão um seguindo a Lei do Caminho e terão o cuidado de seguir as Ordens.
Se isto é assim, quando as realizações dos reis são duradouras e suas empresas são levadas a termo, tudo isso é o resultado de observar cuidadosamente a eficácia dos Nomes convencionais.
Agora, não há Reis sábios, os nomes são observados descuidadamente, Palavras estranhas surgem, Nomes e fatos estão no Caos.
Se a Forma (distinção) entre afirmação e negação (é e não é) não é clara, então mesmo os Oficiais que mantêm as Leis, os advogados que recitam os Clássicos, também estão todos no Caos.
Se um rei aparecesse, certamente assumiria o trabalho de reviver os Nomes Antigos, e de criar com Novos Nomes. Assim, eu consideraria o que os Nomes seriam, e a razão do ‘mesmo e o diferente’, e os critérios essenciais dos nomes regulatórios, não poderiam ser ignorados.
Se diferentes formas, separadas da Mente, podem ser entendidas como opostas, se diferentes coisas podem ser chamadas com os mesmos Nomes das outras, então a distinção entre o valioso e o desnecessário não será clara, e o ‘Mesmo e Eles’ não serão distinguidos adequadamente.
Se isso for assim, as Intenções (significado) sofrerão necessariamente o perigo de não serem comunicadas e compreendidas, e os assuntos dos homens sofrerão necessariamente o infortúnio da dificuldade e do fracasso.
Assim, o Conhecimento do sábio considera Distinções, usa os Nomes Regulatórios para Designar ou Relacionar as Realidades, por um lado, e usa-os para tornar clara (a distinção) entre o valioso e o desnecessário; por outro lado, usa-os para discriminar entre o Mesmo e o Diferente.
Se o valioso e o desnecessário forem claros, se o Mesmo e o Diferente forem distinguidos, se assim for, então as Intenções não correrão o risco de não serem entendidas, e os assuntos dos Homens não sofrerão o infortúnio da dificuldade e discórdia.
É por isso que ter Nomes é necessário.
Mas então, o que é o que distingue o ‘mesmo e o diferente’?
Eu digo: a Causa são os Sentidos do Céu.
Aqueles homens que são da mesma classe e têm as mesmas emoções, irão apreender por seus sentidos uma coisa como sendo a mesma, por uma designação comum. Assim, depois de compararmos essas coisas com outras coisas de natureza similar, pode-se compreendê-las uma e outra.
Desta forma, chegamos a um Nome Comum para todas as Coisas de uma Classe, com a qual todos concordam em usar quando a ocasião assim o solicitar.
Forma, unidade, consistência de cor, são diferenciados pelo olho.
Tom, Timbre, modulação, são diferenciados pela ouvido.
Doce, amargo, salgado, suave, forte, ácido e outras variações de sabor são diferenciados pela boca.
Perfumes de incenso, fragrância de flores, mau cheiro, rançoso, podre e outras variações de fedor, são diferenciados pelo nariz.
A dor, a coceira, o frio, o calor, a suavidade, a rugosidade, a leveza e o peso são diferenciados pelo corpo.
Discursos, eventos, prazer, raiva, alegria, amor, ódio e desejo são diferenciados pela Mente.
A Mente tem um Conhecimento ou Compreensão dos Sentidos.
Se tivermos o Conhecimento ou Entendimento dos sentidos, então, devido ao ouvido, é possível conhecer os sons, então, por causa do olho, é possível conhecer (as igualdades e diferenças de) as formas. Mas este conhecimento ou compreensão dos Sentidos necessariamente espera até receber, ou ter entrado em contato, com novos dados dos sentidos, de sua classe de objeto particular, e então é possível saber.
Se os cinco sentidos gravam dados, mas não sabermos o que foi gravado; se a Mente examina, mas não pode colocá-lo em Palavras, então todos considerarão que não existe conhecimento.
Esta é a maneira pela qual se distingue e diferencia entre o Mesmo e o Diferente.